Durante anos, quando uma empresa de médio porte pensava em captar recursos estruturados no mercado de capitais brasileiro, ela esbarrava em uma barreira setorial. Se o seu negócio não estivesse diretamente ligado à construção civil (para emitir um CRI) ou à cadeia produtiva do campo (para emitir um CRA), as opções pareciam limitadas ou caras demais.
As empresas de tecnologia, saúde, educação, serviços ou comércio varejista assistiam ao crescimento desses setores e se perguntavam: “E a qualidade dos nossos recebíveis? Por que não poderíamos viabilizar um instrumento financeiro que fosse atrativo para os investidores?”
Com as mudanças trazidas pelo Marco Legal da Securitização e as resoluções da CVM (como a CVM 60), o jogo virou de vez. Duas novas portas se abriram para o mercado geral: o CR (Certificado de Recebíveis) e a Debênture Securitizada.
Se você é um originador de crédito ou um CFO focado no crescimento de uma empresa do middle market, entender esses instrumentos é o primeiro passo para desbloquear novas avenidas de liquidez sem depender dos canais bancários convencionais.
O que é o CR e por que ele é “agnóstico”?
O Certificado de Recebíveis (CR) nasceu para ser o que o CRI e o CRA já eram, mas com uma vantagem revolucionária: ele é totalmente agnóstico a setores.
Em termos simples, o CR funciona sob a mesma lógica de securitização. Uma companhia securitizadora registrada na CVM adquire os direitos creditórios (valores que sua empresa tem a receber de clientes no futuro) e os transforma em títulos negociáveis de renda fixa.
A grande inovação é que o lastro do CR pode vir de qualquer segmento da economia.
Isso significa que agora é possível estruturar e emitir um certificado de recebíveis com base em:
- Mensalidades escolares ou universitárias (setor de educação);
- Contratos de prestação de serviços recorrentes (SaaS/tecnologia);
- Fluxos de faturamento de clínicas médicas e planos de saúde;
- Direitos creditórios de vendas parceladas no comércio e varejo.
Para o investidor, o CR oferece uma excelente relação de risco e retorno, com o diferencial de permitir a diversificação da carteira para além do agro e do imobiliário tradicional. Para as empresas emissoras, é a oportunidade de antecipar receitas futuras de forma estruturada.
E onde entra a Debênture Securitizada?
Muitos originadores ainda confundem as debêntures tradicionais com as debêntures de securitização (ou securitizadas). Embora tenham nomes parecidos, o seu funcionamento operacional é muito diferente.
Em uma emissão de debênture comum, o risco de crédito está totalmente atrelado ao balanço da própria empresa emissora. Se o caixa dela for mal, o pagamento ao investidor corre risco.
Na Debênture Securitizada, a dinâmica muda. Uma companhia securitizadora emite as debêntures e utiliza os recursos da captação para adquirir uma carteira específica de créditos (como cédulas de crédito bancário – CCBs, contratos de compra e venda ou notas comerciais).
O pagamento das debêntures securitizadas não depende do desempenho geral de uma única corporação, mas sim do fluxo de pagamentos gerado por aquela carteira de recebíveis específica que foi “isolada” sob um regime fiduciário de proteção. É um mecanismo híbrido e altamente seguro que concorre diretamente com as cotas de FIDCs de forma mais flexível.
As vantagens práticas para o “Middle Market”
Tanto o CR quanto a Debênture Securitizada compartilham de benefícios estruturais que chamam a atenção de CFOs atentos à saúde financeira de suas operações:
- Eficiência de Balanço (Off-Balance Sheet): Ao ceder os recebíveis para a estrutura de securitização, a empresa limpa seu balanço de ativos de longo prazo e ganha liquidez imediata, sem inchar o passivo com endividamento bancário (no SISBACEN).
- Mitigação e Isolamento do Risco: Ambas as estruturas se utilizam do chamado regime fiduciário. Isso garante que o patrimônio que paga os investidores fica isolado legalmente de qualquer outro problema financeiro que a empresa originadora ou a securitizadora venham a ter no futuro.
- Versatilidade de Garantias: Essas estruturas permitem que o originador desenhe travas de liquidez, contas escrow (protegidas) e regras de subordinação (onde parte do risco é retido pela empresa emissora para dar mais segurança ao investidor sênior).
Desenhando Caminhos Customizados
Na Bloxs, nós acreditamos que o tamanho da sua empresa ou o setor em que você atua não deveriam ser limitantes para acessar o mercado de capitais de alta performance.
Nosso papel é simplificar a complexidade técnica. Funcionamos ao lado do originador para entender qual o melhor arquétipo para a sua operação: se a flexibilidade de um CR estruturado ou a robustez de uma debênture de securitização. Nós unimos a inteligência de curadoria à tecnologia necessária para traduzir a força dos seus recebíveis em uma oferta atraente, transparente e em total conformidade com as regras da CVM.
Se a sua empresa gera recebíveis de qualidade, você já tem o ativo mais valioso para acessar o mercado de capitais. O próximo passo é apenas estruturar.