Fim do mundo estável e previsível do trabalho traz novos desafios para as empresas

Tendências Globais de Capital Humano 2023

As mudanças ocorridas no mundo do trabalho durante a pandemia estão se mostrando mais persistentes do que se imaginava, trazendo novos desafios para as empresas, em um ambiente mais dinâmico e sem limites.

É o que aponta o estudo Tendências Globais de Capital Humano 2023, elaborado pela Deloitte, uma das maiores empresas de auditoria, consultoria e assessoria financeira do mundo.

Segundo o relatório, aquele mundo “estável, compartimentado e previsível” anterior à pandemia deixou de existir, provocando uma ruptura e a descontinuidade nos modelos e nas suposições tradicionais sobre o trabalho.

A pesquisa conduzida pela empresa ouviu cerca de 10.000 pessoas e 1.500 altos executivos e membros de conselhos de administração, que reconhecem que as fronteiras que tradicionalmente governavam as regras do trabalho deixaram de existir.

A forma como os trabalhos são organizados, o local onde o trabalho acontece e as qualificações necessárias para exercer cada função ganharam mais fluidez e dinamicidade, exigindo das organizações uma nova concepção das relações laborais.

Neste artigo, vamos abordar as principais conclusões desse estudo sobre as tendências do capital humano em 2023 e quais desafios elas trazem para as empresas daqui para frente.

Os tópicos que vamos abordar são os seguintes:

Visão mecanicista cede espaço para o trabalho fluido

A visão mecanicista do trabalho com a qual as empresas se organizaram no último século, a partir de funções fixas, repetíveis e distribuídas em tarefas bem definidas e previsíveis, cedeu espaço para uma realidade mais fluida e dinâmica, com novas relações de trabalho e de conceber o espaço laboral.

De acordo com o estudo Tendências Globais de Capital Humano 2023, da Deloitte, o trabalho era visto como um conjunto de tarefas fixas e repetitivas, passíveis de serem facilmente medidas e gerenciadas, ao pressupor que os trabalhadores são intercambiáveis e que suas habilidades e capacidades são facilmente substituíveis.

No entanto, nos últimos anos, esse modelo vem sendo desafiado, ao mesmo tempo em que as organizações e os profissionais lidam com um nível maior de descontinuidade e ruptura do que nunca.

Cada vez menos cargos e títulos de emprego definem os papéis e as responsabilidades dos colaboradores dentro de uma organização.

Ainda que o modelo tradicional de organização do trabalho tenha contribuído para o ganho de eficiência e produtividade em diversos setores, o fato é que as empresas estão lidando com uma força de trabalho cada vez mais consciente e que demanda um sistema econômico mais inclusivo, humano e flexível.

Muitas pessoas acham o trabalho repetitivo e rotineiro pouco gratificante, e a abordagem mecanicista pode tornar difícil para os trabalhadores sentirem um senso de propriedade ou orgulho em seu trabalho.

Segundo o relatório:

Nos últimos anos, houve um reconhecimento crescente das limitações da visão mecanicista do trabalho. Muitas empresas estão explorando abordagens alternativas, como arranjos de trabalho flexíveis e compartilhamento de empregos. Essas abordagens reconhecem as habilidades e capacidades únicas de cada trabalhador e buscam criar experiências de trabalho mais significativas e envolventes.

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Novas tendências no mundo do trabalho

O estudo Tendências Globais de Capital Humano 2023, da Deloitte, é uma pesquisa que analisa como as organizações e os trabalhadores podem navegar em um mundo sem fronteiras, onde o trabalho não é definido por empregos, o local de trabalho não é um local específico e muitos trabalhadores não são funcionários tradicionais. 

O estudo se baseia em uma pesquisa com 10.000 entrevistados em todo o mundo e aponta novos fundamentos para criar modelos de trabalho sustentáveis e alcançar resultados elevados.

O estudo identifica cinco tendências principais que estão na vanguarda para os líderes organizacionais:

  1. Design para o bem: as organizações precisam estar cientes do seu dever de cumprir compromissos com a diversidade, equidade e inclusão e causar um impacto positivo no mundo.
  2. Além da resiliência: as empresas devem se adaptar a mudanças contínuas e imprevisíveis no mundo do trabalho, aproveitando a agilidade, a inovação e a aprendizagem de cada profissional.
  3. A força de trabalho sem fronteiras: as companhias devem  aproveitar o potencial de uma força de trabalho diversificada, distribuída e dinâmica, que transcende as barreiras geográficas, organizacionais e hierárquicas.
  4. O futuro do trabalho é humano: as organizações podem valorizar e desenvolver as capacidades humanas essenciais para o sucesso no trabalho do futuro, como a criatividade, a colaboração e a inteligência emocional.
  5. Superando a lacuna digital: é preciso integrar dados e tecnologias nas estratégias de capital humano das empresas, a fim de melhorar a experiência dos trabalhadores, a tomada de decisões e os resultados de negócios.

O estudo realizado pela Deloitte sobre as tendências do capital humano em 2023 se baseia em uma pesquisa com mais de 10 mil líderes de negócios e de recursos humanos em 140 países, além de entrevistas com especialistas e líderes de diferentes setores e regiões.

De acordo com o relatório as organizações precisam ir além de oferecer benefícios e programas de bem-estar para seus colaboradores e criar uma cultura que promova o bem-estar físico, mental, emocional e social de todos.

Além disso, prevê que é preciso reinventar a liderança, desenvolvendo líderes capazes de lidar com a complexidade e a incerteza do cenário atual de maneira ágil e adaptável, com uma visão sistêmica, inclusiva e empática.

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Como as empresas devem se preparar para o futuro do trabalho?

A Deloitte aponta ainda que as organizações devem criar uma cultura de aprendizagem contínua e personalizada para seus colaboradores, que possibilite o desenvolvimento de novas competências e habilidades em um ritmo acelerado e alinhado às demandas do mercado.

É preciso repensar como o trabalho é feito, quem o faz e onde é realizado, considerando o uso de tecnologias como inteligência artificial, automação e plataformas digitais, que permitem novas formas de colaboração, inovação e produtividade.

Os modelos tradicionais de trabalho, força de trabalho e local de trabalho que assumem que as organizações têm autoridade exclusiva para tomar decisões estão desaparecendo, à medida que os profissionais exigem um trabalho com mais significado, flexível e com  planos de carreira mais personalizados. Embora o poder dos colaboradores possa ter sido visto anteriormente como uma ameaça, as organizações de destaque estão encontrando formas de promover a motivação e a cocriação do empregado para gerar benefícios mútuos.

Dessa forma, as organizações precisam definir e comunicar o seu propósito como um diferencial competitivo e como um fator de engajamento e motivação para seus colaboradores, clientes, parceiros e sociedade.

O estudo oferece ainda insights e recomendações para os líderes organizacionais sobre como abordar essas tendências e se preparar para o futuro do trabalho, com destaque para:

  • Colocar as pessoas no centro das decisões estratégicas, considerando suas necessidades, expectativas e aspirações.
  • Investir no desenvolvimento dos talentos internos, criando oportunidades de crescimento profissional e pessoal para os colaboradores.
  • Promover a diversidade, a equidade e a inclusão nas organizações, valorizando as diferenças e criando um ambiente de respeito e pertencimento para todos.
  • Estabelecer parcerias com outras organizações, instituições de ensino, governos e sociedade civil, para compartilhar conhecimentos, recursos e soluções para os desafios comuns.
  • Medir o impacto das ações de capital humano nos resultados financeiros, na satisfação dos clientes, na reputação da marca e na sustentabilidade do negócio.

O estudo “Tendências Globais de Capital Humano 2023”, da Deloitte, é uma fonte valiosa de informações e orientações para os líderes organizacionais que querem se adaptar às mudanças do mundo do trabalho e construir organizações mais humanas, resilientes e inovadoras.

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