Transição energética entra em discussão. Isso porque a pandemia e a guerra na Ucrânia evidenciaram problemas estruturais dos países em relação à matriz energética, seja na dependência de uma fonte ou do fornecimento por um país, como é o caso da Europa em relação ao gás natural da Rússia.
Esse contexto revelou a necessidade de mudança de paradigma na forma de lidar com a sua produção. Neste sentido, conciliar a preocupação climática com segurança energética tornou-se fundamental para a sobrevivência da economia global, fato que tem acelerado a chamada transição energética.
Ela se refere à mudança do setor de energia global, de sistemas de produção e consumo baseados em fósseis – incluindo petróleo, gás natural e carvão – para fontes renováveis, como eólica e solar, mas também baterias de íons de lítio.

Nos EUA, por exemplo, o objetivo do país é ter 45% da sua matriz energética na fonte solar até o ano de 2050. Já na União Europeia, o bloco pretende ter sua matriz 100% limpa até 2030. Os dados atuais mostram que 38% da energia do continente já é gerada através de painéis solares e usinas eólicas.
A tendência, de acordo com especialistas do assunto, é que as energias mais poluentes e a nuclear se tornem apenas fontes temporárias de resolução de inseguranças.
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Além disso, se o preço do petróleo continuar em patamares elevados, a transição energética deve ganhar ainda mais força, servindo como um incentivo para uma mudança mais rápida que diminua a sua dependência.
Outro aspecto fundamental que tem favorecido uma transição para energias renováveis é o desenvolvimento tecnológico e a redução dos seus custos de produção, tornando as fontes limpas cada vez mais competitivas em termos financeiros.
Os custos da energia solar e eólica caíram tão drasticamente que em algumas regiões dos EUA e da Europa elas se tornaram mais competitivas que fontes tradicionais.
De acordo com dados do Our World in Data, o custo da energia solar pelo mundo caiu 89% entre 2009 e 2019 – de US$ 359 por megawatt para US$ 40. O custo da energia eólica, por sua vez, baixou cerca de 70% na década estudada – de US$ 135, em 2009, para US$ 41, em 2019. Dessa forma, ambas ficaram mais baratas do que a eletricidade gerada por usinas nucleares (US$ 155) e termelétricas (US$ 109).
No caso das baterias de íons de lítio, o custo caiu drasticamente com as melhorias tecnológicas e os ganhos de escala, já que empresas e consumidores estão cada vez mais se voltando para veículos elétricos (EVs). Esse aspecto tem tornado a transição para os EVs uma área com forte potencial de crescimento.
Não à toa, as duas maiores companhias do setor, a Tesla de Elon Musk e a BYD, uma montadora chinesa de carros elétricos, considerada a maior rival da Tesla, têm chamado tanto a atenção de investidores.
Já o Brasil está há décadas na vanguarda da energia limpa, com mais de 80% vindo de fontes renováveis, enquanto a média mundial é de 25%.
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O problema é que ela está concentrada nas usinas hidrelétricas, que representam cerca de 60% da matriz energética brasileira. Logo, em contextos de diminuição das chuvas e dos reservatórios enfrentamos graves contratempos, como a crise de 2001.
Com isso, a transição brasileira tem voltado sua atenção para métodos mais acessíveis e econômicos, como a energia solar e eólica. Atualmente, ambas já representam mais de 15% da matriz energética do Brasil.
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Diante desse cenário, em que segurança energética e a preocupação climática andam cada vez mais lado a lado, a transição para fontes renováveis continuará a aumentar em importância à medida que os investidores priorizam fatores ambientais, sociais e de governança (ESG).
Logo, as empresas e setores que saírem na frente na utilização e produção de energias limpas, tendem a surfar essa nova onda da economia global, o que pode apresentar oportunidades para aqueles que estiverem atentos às mudanças no setor de energia.



