Resolução CVM 175: conheça as inovações do novo marco regulatório dos fundos

Resolução CVM 175

A Resolução CVM 175 atualiza e aprimora o marco regulatório dos fundos de investimento no país, com regras mais claras e rígidas para a gestão e a operação de fundos.

Publicada no final do ano passado, a nova norma entrará em vigor a partir de 3 de abril de 2023 e fornece um marco regulatório mais moderno e eficiente, que visa simplificar as regras de constituição, gestão e operação dos fundos.

Mas as inovações da resolução não beneficiam apenas os gestores, já que trazem mais segurança aos investidores, além de contribuir com o crescimento econômico do país, principalmente no setor de infraestrutura e no mercado imobiliário.

Essencial para o avanço do mercado de capitais nacional, a indústria de fundos de investimento teve forte expansão nos últimos anos, encerrando 2022 com um patrimônio líquido de quase R$ 7,5 trilhões, uma alta de 7,1% em relação ao ano anterior.

Para entender melhor quais são os principais pontos da Resolução CVM 175, seus avanços e inovações, elaboramos este artigo especial, que abordará os seguintes tópicos:

Fundos de investimento tiveram forte expansão nos últimos anos

Os fundos de investimento estão se tornando cada vez mais populares e indispensáveis para os brasileiros que querem aumentar seu patrimônio financeiro de forma consistente.

Desde 2015, o número de cotistas desses veículos de investimento passou de cerca de 5 milhões para quase 34 milhões no fim de 2022, principalmente com a popularização dos fundos imobiliários.

Entre as principais classes de fundos acessadas por investidores brasileiros para diversificar e rentabilizar suas carteiras, podemos citar:

  1. Fundos de renda fixa: fazem alocações em títulos de dívida emitidos por empresas, bancos e governo, buscando oferecer um retorno previsível e com baixa volatilidade.
  2. Fundos multimercado: são especializados em ativos variados, como ações, títulos de dívida, moedas e commodities, buscando rentabilidades mais elevadas do que as de fundos de outros fundos do mercado.
  3. Fundos de ações: fazem alocações em ações de empresas negociadas em bolsas de valores, visando gerar uma rentabilidade acima dos índices de referência setoriais, com a valorização desses papéis.
  4. Fundos cambiais: investem em ativos denominados em moedas estrangeiras, como dólar e euro, buscando lucrar com a valorização dessas moedas em relação ao real.
  5. Fundos de investimento imobiliário (FIIs): investem em imóveis comerciais, como shoppings, escritórios e galpões logísticos, ou em títulos de dívida/recebíveis do setor imobiliário, visando gerar renda passiva recorrente com aluguéis e valorização dos imóveis.

O crescimento dos fundos de investimento está ligado ao maior interesse dos investidores em alocar seus recursos em produtos mais sofisticados e com gestão profissional, principalmente com foco em diversificação entre ativos e classes de ativos com uma única aplicação.

Resolução CVM 175: marco regulatório mais moderno e eficiente para fundos

A nova Resolução CVM 175 busca atualizar e aprimorar o marco regulatório dos fundos de investimento no Brasil, estabelecendo regras mais claras para a operação desses instrumentos, além de aumentar a transparência de sua gestão e a proteção dos cotistas.

A resolução tem como objetivo principal proteger os interesses dos investidores, garantindo que os gestores dos fundos atuem com diligência, prudência e transparência na administração dos recursos dos cotistas.

Nesse sentido, a Resolução CVM 175 procura aperfeiçoar a regulação e a supervisão dos fundos de investimento no país, no intuito de aumentar a segurança dos cotistas, bem como aumentar a transparência e a eficiência desses produtos financeiros. 

Incorporação de melhores práticas internacionais

Além disso, a Resolução CVM 175 se preocupou em observar as melhores práticas internacionais de regulação de fundos, a fim de alinhar a regulação brasileira aos padrões mundiais.

Entre alguns exemplos de melhores práticas internacionais incorporadas à Resolução CVM 175, podemos citar:

  • Aumento da diversificação dos fundos de investimento, limitando a concentração em um único ativo ou em emissores específicos;
  • Introdução de regras mais rígidas para a gestão de risco dos fundos, incluindo a exigência de elaboração de um documento de políticas de investimento e de gerenciamento de riscos;
  • Fortalecimento dos requisitos de transparência e divulgação de informações, incluindo a divulgação de informações sobre taxas e despesas dos fundos de investimento;
  • Melhoria das regras para a governança dos fundos, incluindo a exigência de que o administrador do fundo tenha estrutura própria e adequada para desempenhar suas funções;
  • Introdução de novas regras para a distribuição de cotas de fundos, incluindo a exigência de que os distribuidores de cotas tenham estrutura própria e adequada para desempenhar suas funções, e a proibição de distribuição de cotas por pessoas que tenham sido condenadas por crimes financeiros.

Maior proteção para os cotistas

A Resolução CVM 175 marca um avanço importante na segurança dos cotistas de fundos de investimento, na medida em que estabelece regras mais rígidas para a gestão dos fundos.

felipe souto, ceo da bloxs

De acordo com Felipe Souto, CEO do Grupo Bloxs, ecossistema de investimentos alternativos que oferece soluções de acesso ao mercado de capitais, assessoria financeira e gestão de recursos:

O novo marco regulatório dos fundos se preocupa em estabelecer condições e prazos para os pedidos de resgate dos cotistas, bem como limites para a concentração de ativos em um único emissor. Além disso, há previsão de criação do Comitê de Riscos, cuja função é monitorar e gerenciar os riscos dos fundos de investimento. Essas medidas indicam que a autarquia procurou reforçar a segurança dos cotistas, o que, em última instância, favorece a própria indústria de fundos, ao aumentar a confiança dos investidores no setor. Isso deve impulsionar seu crescimento e sua importância no mercado de capitais.

Avanços regulatórios na indústria de investimentos

Entre os avanços mais importantes para o desenvolvimento da indústria de fundos de investimento no Brasil, podemos citar:

  • Regras mais rigorosas para a precificação dos ativos dos fundos de investimento, com a exigência de que sejam realizadas avaliações frequentes dos ativos e a proibição de uso de preços médios ponderados para ativos não cotados;
  • Criação de uma categoria de fundos conhecida como “FIDCs verdes”, que devem investir em projetos sustentáveis e ter transparência na prestação de contas relacionada à aplicação dos recursos em projetos de impacto ambiental positivo;
  • Flexibilização das regras de investimento para os fundos de private equity e venture capital, permitindo que esses fundos realizem investimentos em empresas que ainda não tenham faturamento, desde que apresentem potencial de crescimento e inovação;
  • Regras mais claras para a realização de operações com derivativos, incluindo a obrigatoriedade de limites de exposição e divulgação de informações sobre essas operações.

Fundos Verdes

A Resolução CVM 175 criou uma nova categoria de fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs) conhecida como “FIDCs verdes“. 

Esses fundos devem investir em projetos sustentáveis e ter transparência na prestação de contas, no que se refere à aplicação dos recursos em projetos com comprovado impacto ambiental positivo.

Os FIDCs verdes devem seguir critérios rigorosos de seleção dos projetos, levando em consideração aspectos sociais e ambientais. Os gestores dos fundos devem ainda fazer uma avaliação periódica do impacto ambiental dos projetos financiados. 

Cabe lembrar que o fundo precisa divulgar, em seu regulamento, as diretrizes a serem seguidas na escolha dos projetos, bem como as métricas usadas na avaliação do impacto ambiental.

Nas palavras de Felipe Souto, CEO do Grupo Bloxs:

A criação dos FIDCs verdes é uma resposta à demanda cada vez maior dos investidores por produtos financeiros que sigam os princípios ESG, isto é, aspectos ambientais, sociais e de governança na tomada de decisão de investimento. 

Dessa forma, a Resolução CVM 175 introduz no mercado de fundos de investimento do Brasil uma opção a mais para diversificar a carteira com ativos sustentáveis e alinhados à melhores práticas ESG.

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