Com Lula eleito, o que podemos esperar do setor imobiliário

eleição mercado imobiliário

No último final de semana, vivemos dias festivos para a democracia do nosso país. 

Não refiro-me a quem ganhou ou aquele que perdeu. Digo isso porque exercemos em paz o nosso direito ao voto, em um evento que demonstra mais uma vez a força das nossas instituições.

O mercado imobiliário, assim como boa parte da nossa economia, tem relação direta com a previsibilidade das políticas públicas. Legislativo, Judiciário, além de órgãos de controle fortes e vigilantes, existem para criar um arcabouço que traga segurança a quem investe e a quem produz.

A eleição terminou. A partir de hoje, todos nós temos o dever de olhar para frente.

MERCADO IMOBILIÁRIO E O NOVO CICLO POLÍTICO

Como empresário do setor imobiliário, planejo nossos empreendimentos olhando a médio e longo prazo. Cada projeto, entre aquisição de terreno e recebimento final dos clientes, leva em média 07 anos. Poucos negócios possuem ciclos tão longos de projetos, por isso temos toda uma atenção especial à análise dos ciclos econômicos. 

Em função disso, resumo aqui algumas análises relacionadas ao mercado imobiliário:

  • Juros – Banco Central seguirá sob a tutela de Campos Neto, que tem mandato por mais dois anos. Juros devem iniciar em breve curva de queda, alcançando patamar real (descontada inflação) em torno de 5% ao ano;
Tabela: Títulos IPCA+ disponíveis em 31/10 no Tesouro Direto

  • Empréstimos para Aquisição de Imóveis – O financiamento imobiliário tem como lastro a poupança, que acumula depósitos de cerca R$ 1 trilhão. Haverá dinheiro para emprestar. Volume de empréstimos está girando em patamar recorde de R$ 200 bilhões/ano (Abecip jun/22), o que mostra o apetite dos bancos.
Gráfico: Acumulado 12 meses – Valores financiados Fonte: Abecip

  • Crédito – Existe promessa do presidente eleito de implementar projetos que ajudem a limpar o nome de parte dos 64 milhões de brasileiros negativados, possibilitando o acesso aos recursos disponíveis;
  • Reserva de Valor – Os imóveis são reconhecidos como reserva de valor para investidores e patrimônio para famílias. Momentos de maior percepção de incertezas tendem a gerar maior alocação neste tipo de ativo;
  • Auxílio Brasil – Presente no discurso de ambos os candidatos, a manutenção do benefício em R$ 600,00 tende a gerar grande demanda de materiais de construção, o que tende a aumentar o preço dos imóveis;
  • Programa Habitacional – É presente no discurso do presidente eleito uma maior atenção à moradia popular, que nos últimos anos sofreu com a menor disponibilidade de recursos públicos.
  • Oferta de Imóveis – O Brasil possui 245 mil unidades residenciais no estoque das incorporadoras desde 2017. A boa notícia é que no mesmo período, as vendas anuais subiram de 129 mil para 301 mil unidades/ano. Considerando a média de vendas do 2T22, este estoque se esgotaria em menos de 10 meses. Um estoque equilibrado e lançamentos crescentes é sinal de saúde do mercado.
Gráfico: Estoque/Oferta, Lançamentos e Vendas de unidades residenciais no Brasil. Fonte: Brain

Considerando estes fatores, a minha aposta é que viveremos um bom ciclo para clientes, investidores e desenvolvedores do Mercado Imobiliário nos próximos anos. E nada mudou de ontem para hoje!

Rafael Rios é sócio e fundador da BRL Incorp

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